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Quebra de sigilo em investigação sobre Carlos atinge ex-mulher de Bolsonaro

Apareceu em vários momentos na apuração contra Flávio Bolsonaro

Por Daniel Amaral em 02/09/2021 às 06:58:07

Ao autorizar a quebra dos sigilos banc√°rio e fiscal do vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos) e outras 26 pessoas, a Justi√ßa do Rio atingiu Ana Cristina Siqueira Valle, segunda ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro, e ex-assessores ligados a Fabrício Queiroz. Alguns deles j√° haviam passado por medidas cautelares na investiga√ß√£o contra o senador Fl√°vio Bolsonaro (Patriota-RJ), irm√£o de Carlos.

Ana Cristina Siqueira Valle é m√£e do quarto filho do presidente, Jair Renan, e trabalhou no gabinete de Carlos. Diversos familiares seus foram nomeados tanto para o mesmo escritório quanto para outros da família. Sua irm√£, Andrea Valle, est√° na lista dos ex-assessores que ter√£o contas analisadas. Em julho, ela ficou conhecida após uma reportagem do portal UOL revelar √°udios em que a ex-cunhada de Bolsonaro assumia que existiam desvios de sal√°rios também no antigo gabinete do hoje presidente na C√Ęmara dos Deputados.

Família de ex-mulher de Bolsonaro apareceu em v√°rios momentos na apura√ß√£o contra Fl√°vio

A família de Ana Cristina, cuja rela√ß√£o com Bolsonaro envolveu transa√ß√Ķes imobili√°rias que chamaram a aten√ß√£o do Ministério Público, apareceu em v√°rios momentos da investiga√ß√£o contra Fl√°vio. Ficou fora da primeira denúncia do caso, mas ainda h√° desdobramentos das apura√ß√Ķes em poder do Ministério Público do Rio.

J√° as pessoas ligadas a Queiroz, que chegou a ser preso por tentar fugir das investiga√ß√Ķes, s√£o Claudionor Gerbatim de Lima e M√°rcio da Silva Gerbatim. Eles s√£o, respectivamente, sobrinho da atual mulher de Fabrício Queiroz e ex-marido dela. Ambos tiveram o sigilo quebrado nas apura√ß√Ķes envolvendo Fl√°vio, em abril de 2019. Em junho daquele ano, o Estad√£o revelou que os dois nunca tiveram emitidos crach√°s funcionais na C√Ęmara Municipal enquanto estiveram nomeados por Carlos. Isso refor√ßa a tese de que seriam "fantasmas".

Empregado como motorista pelo vereador entre abril de 2008 e abril de 2010, M√°rcio foi nomeado logo depois como assessor-adjunto no gabinete de Fl√°vio na Assembleia Legislativa, onde ficou até maio de 2011. No mesmo dia, Claudionor ganhou a vaga no gabinete de Carlos na C√Ęmara Municipal. A família Bolsonaro sempre manteve o h√°bito de trocar assessores entre seus gabinetes parlamentares.

Revela√ß√Ķes como essas por parte da imprensa motivaram a abertura da investiga√ß√£o contra Carlos, ainda em meados de 2019. Àquela altura, Fl√°vio j√° passara por quebras de sigilo. A revista Época apontou indícios de supostas irregularidades envolvendo os parentes de Ana Cristina Valle, principal gatilho para o início das apura√ß√Ķes do MP.

Em setembro do ano passado, o Estad√£o revelou um aspecto até ent√£o pouco explorado sobre Carlos: seus negócios imobili√°rios. Em 2003, aos 20 anos, o ent√£o novato na C√Ęmara carioca pagou R$ 150 mil em dinheiro por um imóvel na Tijuca, zona norte do Rio. A transa√ß√£o é citada no pedido de quebra de sigilo.

Também naquele m√™s, o jornal mostrou que outro imóvel adquirido por ele - em Copacabana, na zona sul - foi comprado por pre√ßo 70% abaixo do estipulado pela prefeitura para c√°lculo de imposto Tanto o pagamento em espécie quanto a compra por valores inferiores ao "oficial" s√£o pr√°ticas que costumam levantar indícios de uma possível lavagem de dinheiro.

Apura√ß√Ķes contra Carlos e Fl√°vio t√™m rumos semelhantes

O procedimento contra Carlos segue caminhos parecidos com o de Fl√°vio, apesar de terem origens diferentes. As apura√ß√Ķes que envolvem o senador come√ßaram com um relatório de intelig√™ncia financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). As investiga√ß√Ķes que miram o vereador se basearam em reportagens e em dados observados na própria investiga√ß√£o do irm√£o - j√° que havia ali funcion√°rios em comum.

Fl√°vio foi denunciado em a√ß√£o criminal por peculato, lavagem de dinheiro, apropria√ß√£o indébita e organiza√ß√£o criminosa por causa das "rachadinhas" - desvio de sal√°rio de assessores - na Assembleia Legislativa fluminense. A mesma suspeita que recai sobre o vereador. Queiroz seria o operador de Fl√°vio no esquema. Ambos negam.

Após reunir elementos que ajudassem a embasar a tese de que poderia haver peculato - desvio de dinheiro público por servidor - por meio da nomea√ß√£o de "fantasmas" no gabinete de Carlos, o MP formalizou o pedido de quebra de sigilo. No caso de Fl√°vio, isso ocorreu em abril de 2019, mas essa autoriza√ß√£o judicial est√° colocada em xeque. O Superior Tribunal de Justi√ßa (STJ) a considerou mal fundamentada juridicamente e anulou seus efeitos. A denúncia virou objeto de disputa na Justi√ßa.

Agora, os investigadores do caso Carlos poder√£o analisar com mais detalhes se h√° indícios de que o dinheiro pago pela C√Ęmara ia de forma ilícita para o vereador. Quando esmiu√ßaram os dados de ex-assessores de Fl√°vio, os promotores conseguiram montar tabelas que indicavam o porcentual dos sal√°rios que era destinado ao operador Queiroz ou sacado em caixas eletrônicos, por exemplo. A família de Ana Cristina Valle, agora novamente em evid√™ncia, tinha como principal pr√°tica o saque do dinheiro. V√°rias vezes, mais de 90% dos rendimentos n√£o permaneciam no sistema banc√°rio que n√£o é comum na era das transa√ß√Ķes eletrônicas.

Nesta quarta, Carlos Bolsonaro reagiu à quebra de seus sigilos fiscal e banc√°rio pela Justi√ßa. "Na falta de fatos novos, requentam os velhos que obviamente n√£o chegaram a lugar nenhum e trocam a embalagem para empurrar adiante a narrativa", escreveu. "Aos perdedores, frustrados por n√£o ser o que sempre foram, restou apenas manipular e mentir. É o que mais acusam e o que mais fazem!"

Fonte: Midiamax

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