Risco de doenças infecciosas aumenta no Rio Grande do Sul

Pesquisadores do Observatório de Clima e Saúde do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde da Fiocruz (Icict/Fiocruz) alertam, em nota técnica, para o aumento da incidência de doenças respiratórias (covid-19, gripes e resfriados e tuberculose), doenças gastrointestinais (hepatite A e diarreia infecciosa), doenças transmitidas por vetores (principalmente a dengue) e leptospirose entre a população do Rio Grande do Sul.

Por Clezer Gomes em 15/06/2024 às 09:17:57

Pesquisadores do Observatório de Clima e Sa√ļde do Instituto de Comunicação e Informação em Sa√ļde da Fiocruz (Icict/Fiocruz) alertam, em nota técnica, para o aumento da incid√™ncia de doenças respiratórias (covid-19, gripes e resfriados e tuberculose), doenças gastrointestinais (hepatite A e diarreia infecciosa), doenças transmitidas por vetores (principalmente a dengue) e leptospirose entre a população do Rio Grande do Sul.


Outro perigo deste momento pós-enchentes é o maior n√ļmero de acidentes com animais peçonhentos, que podem aparecer dentro das casas com a baixa das √°guas.

"Historicamente, as regiões dos vales (incluindo a região metropolitana de Porto Alegre), a depressão central e litoral norte do estado t√™m maior incid√™ncia de acidentes com animais peçonhentos. Com a subida do n√≠vel das √°guas podem ocorrer mais acidentes com aranhas e serpentes, assim como aumenta o risco da transmissão de doenças transmitidas por √°gua contaminada e vetores, como leptospirose, diarreias e dengue. Essas doenças estão mais concentradas no verão, mas podem se estender nos próximos meses devido às alterações do ambiente original causadas pelas chuvas intensas e enchentes", explica o pesquisador do Observatório de Clima e Sa√ļde, Diego Xavier.

"A sobreposição desses riscos, nas mesmas √°reas e no mesmo per√≠odo, exige do sistema de sa√ļde maior capacidade de realizar diagnósticos diferenciais e de identificar os casos mais graves, que precisarão de internação hospitalar ou tratamento especializado", complementa Christovam Barcellos, também pesquisador do Observatório.

Os pesquisadores chamam a atenção para outra questão importante nessa etapa da tragédia: a sa√ļde mental dos desabrigados, dos profissionais e dos volunt√°rios que estão trabalhando na emerg√™ncia. As perdas materiais e/ou de parentes e amigos podem causar aumento de casos de transtorno de estresse pós-traum√°tico, depressão e ansiedade.

De acordo com estudo divulgado pelo Observatório de Clima e Sa√ļde, as doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e transtornos mentais podem se descompensar devido à interrupção do acesso a medicamentos e cuidados médicos cont√≠nuos.

A aglomeração de pessoas nos abrigos, as obras de recuperação das cidades atingidas e o contato com √°gua contaminada estão entre os motivos que podem causar o aumento da maioria dos problemas relacionados à sa√ļde. Neste momento em que as ruas estão cheias de lixo e entulho à espera de coleta, lesões f√≠sicas, como cortes, fraturas, contusões e até queimaduras, também se tornam frequentes.

A nota técnica ressalta ainda que existem 1.518 estabelecimentos potencialmente poluidores dentro da √°rea que foi inundada. São ind√ļstrias, terminais de transporte, obras civis, estabelecimentos comerciais e depósitos que, invadidos pelas enchentes, podem expor a população a substâncias tóxicas nos meses posteriores ao desastre.

"Sabemos que o momento é dif√≠cil e que muitos serviços ainda precisam ser restabelecidos, mas, para diminuir os riscos para a população, é importante que o sistema de sa√ļde implemente iniciativas de cuidado coletivas, como campanhas de vacinação, fornecimento de √°gua pot√°vel e de instalações sanit√°rias adequadas nos abrigos, o controle de vetores, o acesso cont√≠nuo a medicamentos e cuidados médicos para os doentes crônicos, além de serviços de apoio à sa√ļde mental da população e das pessoas que estão trabalhando na emerg√™ncia", afirma Diego Xavier.

Fonte: Agência Brasil

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